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EDUCAÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE: OFICINA MAPA VERDE CURITIBA

A preocupação com a sustentabilidade desperta interesse na comunidade acadêmica e sociedade, no que tange à assimilação de práticas que objetivam elevar qualidade de vida das atuais gerações e, primordialmente, das futuras.
A cidade de Curitiba apresenta uma política pública que contempla as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Ainda assim, nota-se que avanços são necessários no que diz respeito a intervenções (principalmente no meio estudantil) para fomentar o exercício da sustentabilidade.
As oficinas do Mapa Verde Curitiba se inserem nessa trajetória. Constituídas em parceria entre a UFPR e a ONG norte-americana Green Map©, a qual tem o objetivo de mapear os elementos da ecologia urbana, relacionados à boas e más práticas da sustentabilidade, atendendo ao lema: “Pense Globalmente, Mapeie Localmente”, adaptado de uma recomendação da Agenda 21 (ECO92, 1992).
Figura 1. Exemplos de ícones utilizados.
A ONG desenvolveu uma metodologia baseada na representação iconográfica universal de iniciativas e fatos que contribuem ou prejudicam a sustentabilidade (âmbitos ambiental, social e econômico), categorizados em: modo de vida sustentável; natureza; cultura e sociedade.
Tendo tal metodologia como parâmetro, a equipe da UFPR desenvolveu uma ferramenta de intervenção a ela relacionada, tendo como universo os moradores de Curitiba e baseando-se parcial ou totalmente das premissas da ONG Green Map©.
Estabeleceu-se como objetivos o mapeamento, a conscientização e a intervenção na sociedade por meio da linguagem iconográfica. Do universo de ícones disponibilizados pelo Green Map©, selecionou-se uma amostra de 60, divididos entre as categorias supracitadas. Como método de aplicação, optou-se pelo formato de “oficina de mapeamento”, desenvolvida pela equipe do projeto e dividida em 5 etapas: (a) introdução ao sistema – apresentação da ONG e dos resultados anteriores; (b) assimilação – conhecimento dos ícones e seus significados; (c)mapeamento – identificação (desenho), por parte do público, do próprio espaço no ambiente urbano, com uso de mapas da cidade ; (d) finalização do mapa – aplicação de carimbos dos ícones correspondentes às características do local nos mapas desenhados, (e) verificação – expediente interno para verificação de acurácia das informações mapeadas pelos participantes e inserção das mesmas no site do Green Map©.
A primeira e maior ação feita no projeto ocorreu em 2009, como parte da I Jornada de Gestão da Informação – SuGestão 2009. Na ocasião, cerca de três mil e quinhentos visitantes, de Curitiba, região metropolitana e turistas de todo o país tomaram conhecimento da iniciativa, sendo que os moradores locais participaram da construção do Mapa Verde da cidade. Notou-se não apenas o despertar da percepção destes quanto ao seu espaço diário a partir do contato com os mapas locais, além da assimilação dos ícones atrelados à sustentabilidade. Foram realizadas mais duas oficinas de menor proporção (com estudantes de graduação), acrescentando ao projeto um caráter analítico e de discussão acerca dos significados dos ícones disponibilizados no projeto e de outros, faltantes.
As oficinas apresentaram-se como um método válido na educação ambiental, cujo enfoque substituiu paulatinamente o caráter de “coleta de dados” do projeto. A reflexão sobre conceitos de sustentabilidade chama à responsabilidade de cada um em relação ao futuro da cidade e do planeta. Esta implica na mudança de hábitos e, para tanto, na necessidade de inserção e participação social. O segundo momento, da identificação de ícones presentes em seu entorno, propicia ao participante o exercício de leitura espacial, que gera crítica a questões antes não pensadas a esse respeito. A realização das oficinas demonstrou que a população curitibana, ao mesmo tempo em que valoriza praças, espaços verdes, unidades de saúde, identifica carência de serviços, áreas degradadas e falta de segurança na cidade. Isso demonstra que Curitiba ainda precisa superar desafios quanto a manter um modo de vida sustentável, para o qual espera-se que a educação ambiental promovida pelo Mapa Verde represente uma contribuição.

(artigo apresentado no Seminário EDS-2010 International Conference on Education for Sustainable Development, Maio de 2010. Autores: Ana Carolina Greef, Eduardo Michelotti Bettoni, Maria do Carmo Duarte de Freitas, Sergio Fernando Tavares, Silvia Pedroso Xavier)